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Retzius sparing: entenda a técnica que revolucionou a Prostatectomia radical robótica. O que é, para quem é, e por que pode acelerar a continência

  • Foto do escritor: daniel gs
    daniel gs
  • há 7 horas
  • 5 min de leitura
Homem de cerca de 60 anos, cabelos grisalhos e barba branca bem aparada, sorrindo amplamente em frente a um hospital. Ele levanta um dos braços em gesto de vitória e segura um cartaz com a frase “CANCER FREE!” e um símbolo de confirmação. Usa camisa azul clara sobre camiseta branca e um laço azul de conscientização no peito, transmitindo alegria e superação.

Receber o diagnóstico de câncer de próstata muda o chão: a primeira pergunta costuma ser “vou ficar curado?”. A segunda vem logo depois: “vou ficar incontinente ou impotente?”.



A prostatectomia radical robótica é uma das principais opções curativas para câncer de próstata localizado. E, dentro dela, existe uma variação técnica que ganhou destaque por um motivo muito claro para o paciente: a recuperação mais precoce do controle urinário.


Essa técnica se chama prostatectomia radical robótica Retzius-sparing.


Neste artigo, você vai entender:

  • O que é a prostatectomia radical robótica Retzius-sparing

  • Por que nem toda cirurgia robótica é igual

  • Quem pode se beneficiar (e quem talvez não seja o melhor candidato)

  • O que esperar da recuperação (sonda, internação, retorno à rotina)

  • Como ficam continência e função sexual

  • Riscos, segurança e como decidir com tranquilidade


O que é prostatectomia radical robótica Retzius sparing (e por que ela é curativa)


A prostatectomia radical é a cirurgia que remove a próstata e as vesículas seminais como tratamento do câncer de próstata, principalmente quando a doença está confinada ao órgão.


Quando falamos em prostatectomia radical robótica, significa que a cirurgia é feita com tecnologia robótica (“robô-assistida”), que oferece:

  • visão ampliada em alta definição

  • instrumentos precisos

  • movimentos finos para dissecação delicada


O robô não opera sozinho. Ele é uma plataforma que potencializa a técnica e a experiência do cirurgião.



Nem toda cirurgia robótica é igual: o robô é o instrumento, a técnica define o resultado


É comum o paciente pensar: “Se é robótica, é tudo igual”. Não é.

Existem diferentes estratégias anatômicas dentro da prostatectomia radical robótica. As duas principais abordagens são:

  • Técnica convencional (abordagem anterior)

  • Técnica Retzius-sparing (abordagem posterior)


Ambas podem ser feitas com robô, mas seguem caminhos diferentes no corpo — e isso muda principalmente a recuperação inicial da continência urinária.



O que é Retzius-sparing (explicação simples e direta)


O espaço de Retzius é uma região anatômica localizada entre a bexiga e o osso púbico (na frente da próstata). Ali passam estruturas que participam do “sistema de suporte” do mecanismo urinário.

Na cirurgia convencional, esse espaço é aberto para chegar à próstata.


Na prostatectomia radical robótica Retzius-sparing, desenvolvida em Milão por Prof. Aldo Bocciardi, o acesso é feito por trás da próstata, preservando esse espaço. Em outras palavras:

✅ preserva parte importante do “suporte” da bexiga e do assoalho pélvico

✅ evita mexer em estruturas que ajudam no controle urinário

✅ pode facilitar uma recuperação mais rápida da continência no pós-operatório inicial



Quais estruturas a técnica tende a preservar e por que isso importa


Quando preservamos a região anterior (Retzius), tendemos a manter melhor:

  • ligamentos puboprostáticos

  • suporte anterior da bexiga

  • parte do complexo venoso dorsal

  • estruturas do assoalho pélvico e periuretrais


Esses elementos ajudam na estabilidade do mecanismo urinário.

Tradução prática para o paciente:a chance de voltar a “segurar a urina” mais cedo pode ser maior.



Para quem a prostatectomia Retzius-sparing costuma ser indicada


A técnica não é “melhor para todos” — ela é melhor para o paciente certo.


Em geral, tende a ser mais indicada quando há:

  • câncer de próstata localizado

  • risco baixo a intermediário (dependendo do caso)

  • doença com boa delimitação nos exames (especialmente ressonância)

  • anatomia favorável e possibilidade de preservar planos com segurança



Quando a técnica pode não ser a melhor escolha


Em tumores com características de maior agressividade local ou maior extensão, pode haver necessidade de estratégia diferente para garantir controle oncológico máximo, e a abordagem convencional pode ser preferível em parte dos casos.


Regra de ouro:


a melhor técnica é aquela que une cura do câncer + menor impacto funcional, de forma individualizada.


Benefícios mais importantes do Retzius-sparing


1) Recuperação mais precoce da continência urinária


Esse é o ponto que mais interessa para quem está com medo do pós-operatório.

A literatura mostra vantagem especialmente nos primeiros:

  • dias

  • semanas

  • meses


Depois de cerca de 12 meses, muitos estudos mostram que as taxas finais de continência tendem a se aproximar entre técnicas, mas o “ganho” do Retzius-sparing é, principalmente, no início da recuperação.


2) Qualidade de vida melhor no pós-operatório inicial


Quando o paciente usa menos absorventes cedo, costuma:

  • dormir melhor

  • sair de casa com mais confiança

  • retornar à rotina com menos ansiedade


Isso muda a experiência dos primeiros meses.


3) Resultados oncológicos (cura) comparáveis, quando bem indicado


Em pacientes bem selecionados, os estudos mostram controle oncológico semelhante ao da técnica convencional.

Ou seja: dá para buscar função sem abrir mão de oncologia — quando o caso permite.



Continência e função sexual: o que realmente determina o resultado


Continência urinária


A continência após prostatectomia depende de:

  • técnica (inclui Retzius-sparing)

  • preservação do esfíncter e mucosa apical

  • anatomia individual

  • idade e tônus do assoalho pélvico

  • reabilitação orientada quando indicada


O Retzius-sparing pode acelerar o “começo” da continência, mas é parte de um conjunto.


Função erétil (potência)


A função erétil após prostatectomia depende muito de:

  • função erétil antes da cirurgia

  • idade

  • extensão do tumor

  • possibilidade de nerve sparing (preservação de nervos)

  • reabilitação peniana no pós-operatório


O Retzius-sparing, por si só, não “garante” ereção. O fator mais importante costuma ser a preservação neurovascular quando oncologicamente possível.



Recuperação: internação, sonda e retorno à rotina


Essa é a parte que reduz ansiedade quando é explicada com clareza.


Em geral, o paciente quer saber:

  • tempo de internação prostatectomia robótica

  • quanto tempo com sonda após prostatectomia robótica

  • quando pode voltar a trabalhar, dirigir e fazer atividade física

  • cuidados pós prostatectomia radical


A recuperação varia por protocolo e perfil do paciente, mas a lógica é:

  • internação curta na maioria dos casos

  • sonda por período definido pelo cirurgião (equipe)

  • retorno gradual às atividades

  • orientações claras de esforço, caminhada, hidratação e sinais de alerta


    ✅ O que mais importa aqui: um pós-operatório bem guiado, com comunicação acessível.



Riscos e segurança: o que é importante discutir com transparência


Toda cirurgia tem riscos. Os temas mais buscados são:

  • riscos da prostatectomia robótica

  • complicações prostatectomia radical

  • sangramento/transfusão

  • estreitamento de uretra / estenose de anastomose


Na robótica, em centros experientes, o perfil de segurança costuma ser muito bom. Mas o ponto ético é sempre:

  • explicar risco real sem alarmismo

  • mostrar o plano de prevenção e manejo

  • individualizar risco conforme comorbidades e tumor



A importância da experiência: técnica avançada depende de treinamento avançado


A prostatectomia Retzius-sparing é tecnicamente mais exigente.

Resultados dependem de:

  • volume cirúrgico

  • padronização técnica

  • seleção adequada do paciente

  • equipe completa e pós-operatório estruturado


Mensagem ao paciente:


não basta “ter robô”. O que define excelência é técnica + experiência + cuidado.


Perguntas frequentes (FAQ)


Retzius-sparing é melhor do que a técnica convencional?

Pode ser melhor para continência no início, em pacientes selecionados. A decisão depende do tumor, anatomia e planejamento cirúrgico.


Toda prostatectomia robótica é Retzius-sparing?

Não. São técnicas diferentes dentro da cirurgia robótica.


Retzius-sparing cura o câncer?

Quando bem indicada, apresenta resultados oncológicos comparáveis à técnica convencional em muitos cenários de câncer localizado.


Quanto tempo demora para recuperar a continência?

Muitos pacientes recuperam mais cedo com Retzius-sparing, frequentemente nas primeiras semanas ou meses, mas cada caso tem seu tempo.


E a ereção, volta?

Depende principalmente de idade, função prévia e possibilidade de preservação de nervos, além do plano de reabilitação.



Conclusão


A prostatectomia radical robótica Retzius-sparing é uma evolução técnica importante porque busca unir duas prioridades do paciente:

  1. cura do câncer de próstata localizado

  2. menor impacto funcional, especialmente na continência urinária no pós-operatório inicial


A melhor decisão é sempre individualizada, baseada em:

  • PSA, biópsia, ressonância e estadiamento

  • perfil funcional e expectativas

  • plano cirúrgico personalizado


Se você recebeu diagnóstico de câncer de próstata e está considerando prostatectomia radical robótica, uma avaliação especializada ajuda a responder com clareza:


  • qual técnica faz sentido para o seu caso (convencional vs Retzius-sparing)

  • chances reais de preservação funcional (continência e ereção)

  • plano de recuperação e reabilitação


Agende uma consulta para uma análise individualizada dos seus exames.


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Dr. Daniel Gabriele Sucupira

Médico Urologista

CRM-SP 171.495 RQE-SP 90.508
CRM-CE 15186 RQE-CE 13.959

Cirurgia Robótica e Minimamente Invasiva

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